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eu metia as mãos na água

De 27 de junho de 2019 a 09 de setembro de 2019

Os críticos, ao referirem-se ao trabalho deste artista, convocam sempre a matéria. O tema é aquilo que nasce do confronto entre João Jacinto e os materiais que tem diante de si: tintas, telas, papeis, pasteis, carvão. Materiais que se convertem em obras, umas mais espessas, ultrapassando a dimensão do suporte, e outras, aparentemente mais contidas, enquadradas. Eu metia as mãos na água não é apenas um título, é a enunciação, ou a anunciação de um gesto – o artista enfrenta o que tem diante de si e produz retratos estranhos, de cabeças, e de rostos, que nos miram, como a cabeça de Holofernes, recém-cortada por Judite, ou a de João Baptista servida numa bandeja à Salomé. São imagens perturbadoras, esteticamente muito próximas dos seus autorretratos. Perturbam-nos pelo seu falso inacabamento, pela zona de sombra que envolve cada cabeça, pelo espaço vazio, abissal, que as circunda. João Jacinto faz parte do grupo dos grandes artistas da segunda metade séc. XX que resgataram as imagens do puro abstracionismo e que deram uma cara, e uma carnatura, ao mundo que emergiu do pós-guerra em trauma profundo. E que passou os últimos anos a tentar esquecer. E a obra destes artistas existe porque é preciso, mais que nunca, lembrar. Para que o horror permaneça circunscrito à arte – para onde olhamos e que nos devolve, de modo intenso, o nosso próprio olhar.

 

Mirian Tavares

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